Ritmo cardíaco

Extrassístoles: o que são, quais os sintomas e quando investigar?

Por Dra. Mariana Moretti · CRM-SP 143.55329 de setembro de 20264 min de leitura
Registro de eletrocardiograma, exame que avalia o ritmo do coração

Você já sentiu como se o coração tivesse dado um “tranco”, batido fora do ritmo ou até parado por um instante? Essa sensação pode estar relacionada a uma extrassístole.

Extrassístoles são batimentos que surgem antes do momento esperado no ritmo do coração. Elas podem se originar nas câmaras superiores, chamadas átrios, ou nas inferiores, chamadas ventrículos. Em algumas situações, o batimento precoce é seguido por um intervalo um pouco maior até o próximo batimento. É essa sequência que pode dar a impressão de uma “falha” seguida de uma batida mais forte.

EXTRASSÍSTOLEPAUSA
Representação esquemática: um batimento surge antes do esperado e é seguido por um intervalo maior até o próximo batimento.

Como a pessoa pode perceber?

Algumas pessoas não sentem nada. Outras descrevem palpitações, um batimento “antes da hora”, uma sensação de descompasso ou um tranco no peito. A percepção varia bastante: a intensidade do sintoma, sozinha, não indica a gravidade da alteração.

Como são avaliadas?

A avaliação começa pela conversa sobre os sintomas, o histórico de saúde e o exame clínico. O eletrocardiograma pode identificar a extrassístole quando ela ocorre durante o registro e também fornece outras informações sobre o ritmo cardíaco.

Quando os episódios são intermitentes, o Holter registra o ritmo por um período mais longo. Ele ajuda a identificar o tipo e a frequência das extrassístoles e a verificar se os sintomas relatados coincidem com alterações no ritmo. Conforme o caso, o cardiologista pode solicitar outros exames, como o ecocardiograma, para avaliar a estrutura e a função do coração.

Extrassístoles são perigosas?

Encontrar extrassístoles não significa, por si só, que exista uma doença cardíaca grave. Para interpretar o achado, é preciso considerar o tipo de extrassístole, sua frequência, os sintomas e a presença ou não de alterações no coração. Extrassístoles ventriculares muito frequentes, por exemplo, podem exigir acompanhamento da função cardíaca, mesmo quando causam poucos sintomas.

É preciso tratar?

Nem sempre. A conduta depende do que foi encontrado na avaliação e do impacto dos sintomas na vida da pessoa.

Se as palpitações vierem acompanhadas de desmaio, dor no peito ou falta de ar importante, procure atendimento médico.

Sentir o coração “falhar” pode assustar. Identificar o que está acontecendo é o primeiro passo para decidir se basta acompanhar ou se é necessário investigar e tratar.

Importante: este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Os exames citados são realizados mediante indicação médica.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz sobre a Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos, 2022.
  2. European Society of Cardiology. Guidelines for the Management of Patients with Ventricular Arrhythmias, 2022.
  3. HRS/EHRA/APHRS/LAHRS. Expert Consensus Statement on Catheter Ablation of Ventricular Arrhythmias, 2019.
Dra. Mariana Moretti, cardiologista da Vivalis
Dra. Mariana Moretti
Cardiologista · CRM-SP 143.553 · RQE 122492 em Cardiologia
Residência em Cardiologia no Instituto Dante Pazzanese · Título de Especialista em Ergometria (DERC)

Sente o coração “falhar”?

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